Os novos rumos da hotelaria

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Por Manuel Suárez – Presidente Sindihotel – Sindicato Intermunicipal da Hotelaria RGS

A hotelaria é um fenômeno que merece estudos a médio e longo prazo. A necessidade de pernoitar e fazer refeições em meios de hospedagem conflita com a pouca disponibilidade de gastar dos clientes e suas novas exigências. Para conseguir uma equação equilibrada, é necessário ouvir o hóspede, a fim de descobrir do que ele realmente precisa e se está disposto a pagar pelos serviços prestados. Com a baixa rentabilidade da operação hoteleira, as mudanças são obrigatórias. É preciso se adaptar ao novo momento da economia no país.

É importante lembrar que a hotelaria como negócio está se tornando, cada vez mais, um segmento pouco atrativo, pois a lucratividade da operação não compensa o investimento necessário. O custo da mão de obra com encargos, os altos impostos e as comissões sobre vendas, absorvem grande parte do faturamento bruto, que, aliado a sazonalidade, não deixa margem para remunerar o investidor. Portanto, se deve considerar que ficará mais fácil para o hoteleiro que já tem o seu investimento amortizado e instalações em muito bom estado, com localização privilegiada e serviços qualificados.

Também é importante analisar com atenção as negociações realizadas sobre o percentual de comissionamento das vendas pela internet, que oscilam entre 14 e 28% em cima do valor bruto cobrado por diária, sem falar dos impostos que variam entre 18 e 23% e dos custos da mão de obra com os encargos sociais, que alcançam 20% do faturamento. Essa soma absorve mais de 50% do valor da venda bruta.

Você já imaginou que até os 40% da ocupação do seu hotel, você paga para manter seu negócio sem ganhar nada? Com todo o investimento e responsabilidade que um negócio implica.

Mas afinal, como posso escapar da crise e me adaptar a atual realidade?

A hotelaria corporativa continuará recebendo técnicos e executivos com permanência média de um a três dias, que aliado ao público de eventos complementará um percentual de ocupação satisfatório ou, pelo menos, razoável. Portanto, torna-se obrigatório, em momentos de crise, efetuar mudanças rápidas para minimizar os possíveis prejuízos e adequar o serviço ao novo cenário.

Alguns questionamentos internos devem ser feitos constantemente, são eles: “Quem compra hotelaria, está à procura de que?” “Qual é a relação da minha tarifa com as instalações e serviços desejados?” “Como é a minha localização e quais são facilidades que entrego aos hóspedes?”. A correta avaliação de questões como essas, permite uma adequação assertiva e rápida.

Além da ocupação corporativa e de eventos, o turismo receptivo é uma maneira efetiva e barata de gerar novos recursos para as regiões que os recebem. Para isso, a promoção de eventos e a criação de infraestrutura turística são fundamentais para melhorar o fluxo turístico, que beneficia diretamente a hotelaria, a gastronomia e o comércio em geral.

Outra questão muito importante refere-se aos programas de sustentabilidade, que além de otimizar custos, podendo auxiliar até mesmo no ajuste do preço da diária, são ótimos para a imagem do estabelecimento. Sem falar nos benefícios para o meio ambiente.

Lembre-se sempre: o turista bem atendido gosta de pagar o preço justo. E se assim for, irá recomendar o estabelecimento. Já o turista mal atendido, sente-se logrado, explorado e fala mal do empreendimento e da região. Dê atenção a seu cliente, se você entender que toda reclamação de seu hospede é um exagero, e realmente for, tenha paciência! Passa. Mas, se ele tiver razão, prepare-se, você tem um negócio com pouco tempo de vida.

Resumindo: É a hora de agir, adequar, gastar pouco, otimizar, encantar, fidelizar, gerar confiança mútua, promover e vender com um pouco de lucro.  Ter sucesso depende exclusivamente de cada empreendedor.